Encontro de Mulheres Estudantes da UNE

Muita gente acredita que a opressão contra a mulher é algo da época em que as mulheres não votavam ou não trabalhavam, ou então é um fato que acontece pontualmente em alguns âmbitos sociais. Grande engano… Ela está presente hoje em dia em vários setores da sociedade, inclusive na Universidade. Acontecimentos como o caso Geisy Arruda na Uniban e, o “rodeio das gordas”, e os diversos trotes violentos e machistas que acontecem em muitas universidades no Brasil, refletem como esta forma de opressão é atual e cotidiana. Outros exemplos rotineiros presentes Brasil a fora são as festas e gritos de guerra das Atléticas, bem como o tratamento que estudantes e professores dão às mulheres nas salas de aula e em outros espaços universitários.

Por exemplos como este, percebemos que a questão da mulher deve ser encarada como um problema social e não pontual e individual das mulheres que são mais visivelmente agredidas.

A luta contra o machismo é coletiva. É preciso que todas as mulheres se sintam protagonistas dessa luta e a encarem como sua em seu cotidiano, levando-a não só para os debates na sala de aula como também para outros espaços de atuação que participam, como Centros Acadêmicos, DCEs, organizações políticas etc. Este protagonismo é importante não só pelas mulheres se encontrarem no centro dessa opressão, mas também porque a elas sempre foi negado o espaço público, político, de debate e luta, pois este sempre foi compreendido como lugar do homem, restando à mulher o lar e a família.

No Movimento Estudantil, essa lógica machista de que os espaços públicos são prioritariamente masculinos, também é reproduzida e exemplos disso são percebidos cotidianamente. É bastante comum, mesmo em cursos majoritariamente femininos, que os homens estejam à frente dos Centros Acadêmicos. É raro que a figura pública do DCE de uma Universidade seja uma mulher. Inclusive, atualmente, na Diretoria Executiva da Une há apenas 3 mulheres diretoras num universo de 16 membros.

Visando e negando essa lógica, ocorre bienalmente o EME (Encontro de Mulheres Estudantes), espaço auto-organizado da UNE destinado a reunir as mulheres estudantes do Brasil inteiro, para refletir sobre a luta contra a opressão imposta as mulheres, em especial dentro da Universidade. A pauta de mulheres, tão importante de ser debatida no espaço universitário, carece de locais para tanto. Por isso é tão importante a participação nesse EMEsp que vai acontecer agora, 26 e 27 de março no na Rua Abolição, 167 – Anhangabaú, como do 4º EME nacional, que ocorrerá de 21 à 24 de abril de 2011 na cidade de Salvador.

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Denúncia

Estudantes de nutrição se mobilizam contra a indústria de alimentos nas aulas

    Na última reunião da Comissão de Graduação (CG) da Faculdade de Saúde Pública da USP, foi aprovada uma carta escrita pelo Centro Acadêmico Emílio Ribas (CAER) e pelos Representantes Discentes, a qual denunciava a presença de representantes de indústrias de alimentos na sala de aula.

   A iniciativa surgiu após serem recebidas diversas reclamações de estudantes que se sentiam incomodados com as aulas ministradas pelos representantes das indústrias alimentícias, que utilizavam o espaço cedido pelos professores para promover a linha de produtos das empresas e distribuir brindes e presentes.

   A universidade tem papel fundamental na produção de conhecimento crítico e independente. A inserção da indústria de alimentos nas aulas pode ser prejudicial ao processo de formação d@ estudante e, portanto, é função da universidade garantir a criação e efetivação de mecanismos que regulem a publicidade e marketing de alimentos em sala de aula, permitindo que estudantes, funcionários e professores sintam-se à vontade para denunciar este tipo de conduta e tenham a garantia de que não serão punidos.

   O Centro Acadêmico conta com o apoio de docentes e profissionais da área que souberam da iniciativa e entraram em contato, como Ana Júlia Colameo, médica pedriatra e mestre em Saúde Coletiva,  professora Marina Ferreira Rea e Tereza Toma, membros da IBFAN, as quais deixaram os seguintes depoimentos:

 “Gostaria que encaminhasse as minhas congratulações pela postura ética que o Centro Acadêmico Emílio Ribas e os Representantes Discentes da Faculdade de Saúde Pública da USP adotaram, frente às aulas ministradas por representantes da indústria de alimentos e de nutrição, demonstrando amadurecimento e integridade”. 

Ana Júlia Colameo 

 “Estou orgulhosa de vocês. Até emocionada ao ler esta carta. Como talvez saiba, fui a coordenadora da elaboração da Norma Brasileira que controla o marketing de substitutos do leite materno e afins, e que conseguimos aprovar em 1988. Estudo e milito nesta causa há muito tempo e esta inserção da indústria dentro das escolas de saúde sempre foi algo muito dificil de coibir. Uma iniciativa como esta de vocês merece nosso apoio incondicional, assim como de todos os professores da USP que estão do lado do ensino isento de conflito de interesses. Oxalá outros alunos de outros cursos onde o assédio da indústria também existe façam o mesmo!  Conte com a gente.”

Prof. Marina Ferreira Rea

 “MARAVILHOSO!!!!! Uma boa lição para os professores.”

“Parabéns a vocês pela iniciativa. Este é um exemplo raro que merece ser divulgado. E fiquei feliz também pelo fato de vocês terem usado como uma das referências a publicação do Ministério da Saúde. Esta publicação foi uma conquista da Marina junto ao Comitê de Aleitamento Materno e nós membros da IBFAN Brasil tentamos colaborar no sentido de fazer algo que pudesse tocar os profissionais de saúde.”

Tereza Toma  

A fim de dar continuidade ao movimento, o CAER está organizando uma programação de seminários e intervenções visuais relacionadas a essa temática, durante os meses de abril e maio, na FSP/USP.

Link para a carta: oficioCG_publicidade_vfinal