Exemplo de mobilização da UNESP deve inspirar xs estudantes da USP para os desafios do próximo período

A (Universidade Estadual Paulista) UNESP possui 24 campi espalhados pelo estado de São Paulo, e muitos deles são os chamados “experimentais”, que convivem com realidades de extrema precarização, em alguns deles essa situação já se arrasta por cerca de 10 anos, seg

undo relato dos estudantes.
Tanto descaso resultou em uma ocupação de cerca de 300 alunos dos mais diversos campi da UNESP na reitoria da universidade, a princípio a idéia era fazer um ato em frente ao local, porém a situação de greve há dois meses sem que nada fosse feito, fez com que as pessoas ali presentes radicalizassem e ocupassem o espaço. Uma oportunidade de se fazer ouvir as vozes roucas dos estudantes cansados de gritar estava colocada, e eles não recuaram.
Esse movimento espontâneo reflete a indignação que hoje vemos na juventude que vai as ruas sem medo de lutar, a juventude sem oportunidades, disposta a brigar por seus direitos.
As principais pautas eram a questão da permanência, que inclui ampliação da moradia estudantil e restaurante universitário em todos os campi, bolsa auxílio para estudantes de nível socioeconômico mais baixo e que não tem como se manter na universidade sem trabalhar; e de maneira secundária, mas também importante, a questão do PIMESP (Projeto de Inclusão por Mérito nas Estaduais Paulistas), que foi elaborado e aprovado de maneira extremamente antidemocrática, e que irá afastar ainda mais os alunos de renda mais baixa das universidades públicas, o que representa um grande retrocesso na construção de uma universidade com acesso amplo e democrático.
Foi feita uma reunião com representantes dos alunos e com a vice-reitora da UNESP, a qual veio direto do campus de Botucatu para conversar com os manifestantes, um grande sinal de que a ocupação foi um processo legítimo de reivindicação, que forçou a reitoria a ouvir as demandas que estão sendo colocadas há dois meses, desde que se iniciou a greve.
Embora as pautas fossem permanência e NÃO ao PIMESP, o que pudemos perceber foi que, todas as reivindicações caminharam para uma conclusão: as demandas dos discentes muitas vezes são secundarizadas por não haver uma estrutura de poder dentro da universidade que dê voz ao estudante. Em geral as universidades públicas do estado de São Paulo têm suas organizações fundadas em sistemas burocráticos e pouco funcionais, que ao invés de promover a aproximação de professores, funcionários e estudantes, os setores que a compõem e constroem a universidade , tornando os espaços de decisão da universidade fechados e nada democráticos.

Nesse sentido, nos da USP seguimos alinhados com as mobilizações dos estudantes da UNESP, no próximo semestre teremos eleições para a reitoria da USP, e é sabido que a maioria da comunidade universitária tem pouquíssima participação, por isso, iremos nos preparar para exigir eleições diretas para reitor e por maior participação dos estudantes nos espaços de decisão. Vamos construir uma universidade ampla e democrática para todos!

UNESP Marília em greve.

UNESP Marília em greve.

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