Dia Internacional da Mulher: comemorar o quê?

Texto de Janethe Fontes.

Vou iniciar esse texto dizendo que não temos o que comemorar neste dia, temos ainda muita luta pela frente. O ano de 2013 foi marcado pelo conservadorismo. Vários setores que representam as minorias tiveram que se mobilizar muito, mas muito mesmo, para não perder direitos que já estavam garantidos na Constituição.

O ano de 2013 também foi marcado pela divulgação de estatísticas assustadoras. Segundo apontamentos, há três anos, o Brasil ocupa a 7ª posição na listagem dos países com maior número de homicídios femininos.

Já em relação ao mercado de trabalho, não houve quase nenhuma mudança. A mulher continua ganhando um salário menor que o homem, continua sendo uma mão de obra barata, “dócil”, instruída (afinal, conforme pesquisas, mulheres têm mais anos de estudos que os homens) e de autoestima reduzida por uma cultura misógina, que lucra muito pregando inseguranças às mulheres (a ‘ditadura da beleza’ instituiu dois grandes medos para dominar o público feminino: o medo de envelhecer e de engordar, e isso gera altos lucros às ‘indústrias da beleza’). Além da dupla jornada de trabalho, já que a maioria das mulheres continua trabalhando fora e em casa.

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Temos ainda que derrubar vários mitos que nos impuseram ao longo do tempo, mitos esses que em nada nos “engradecem ou privilegiam”, ao contrário, nos colocam em uma posição que nos torna subordinadas as tradições patriarcais. É costume ver nas redes, em datas como essa, uma enxurrada de mensagens com fotos de flores e asneiras que parecem “elogiar” as mulheres, mas que, ao contrário disso, só ressaltam expectativas machistas.

Não, a mulher não é um ser com superpoderes!! E querer bancar a supermulher pode ser muito prejudicial à saúde. Esse negócio de achar que “mulher de verdade” é aquela que trabalha fora, em casa e ainda está sempre linda, elegante e ‘feliz’ é ridículo! Mas, pior do que isso, é uma forma de menosprezar as habilidades intelectuais das mulheres e ainda submetê-las a um quadro de violência psicológica e física, já que insinua que devem alterar/mutilar os seus corpos para terem realização pessoal e serem vencedoras.

Não, a mulher não é um “Bombril” com mil e uma utilidades! Não tem que dar conta de tudo sozinha. De maneira alguma! A divisão doméstica e os cuidados com os crianças, idosos e doentes tem que ser feita de forma igual. Há inúmeras afirmações de que as mulheres têm “habilidades naturais” com a casa e com as crianças que os homens não têm (coitadinho deles, né?), afirmações tendenciosas de que “os homens tem outro ritmo”, sugerindo, assim, que os maridos não devem ser importunados quando chegam do trabalho, porque eles merecem descanso, enquanto as mulheres, mesmo cansadas, depois de um longo e exaustivo dia de trabalho, têm de dar um jeito de resolver praticamente todos os problemas da casa, dar de conta de todas as tarefas domésticas! O máximo que cabe aos homens é “ajudar” a mulherada nessas tarefas. Não. Lógico que não!

É preciso romper ainda com outros mitos que até hoje são popularmente repetidos aos montes. Afinal, quem nunca ouviu as seguintes frases: “mulher não se veste para o homem, mas sim para outras mulheres”; “mulher não é amiga de mulher”; “mulher tem que se dar o valor”; “mulher é compulsiva para gastar dinheiro”; “toda mulher é invejosa e fofoqueira”; “toda mulher adora sapatos”; “mulher dirige mal porque tem noção espacial menor que a do homem”; “a mulher é frágil e delicada por natureza”; etc. Há algumas outras inverdades que eu sequer ousaria mencionar aqui, de tão absurdas.

Enfim, temos uma batalha muito grande pela frente nas mudanças dessas, de outras tantas situações e também na desconstrução dessas diversidades de mitos que nos abatem diariamente, nos inferiorizam, nos tiram a autonomia e nos limitam a papéis de dependência dentro da sociedade.

Por isso tudo, amigas e amigos, no próximo dia 08 de março, não mandem essas mensagens com bobagens para suas amigas, namoradas ou mães, mas sim ajudem na desconstrução de mitos e na conquista pela igualdade de direitos!

 

Fonte: Blogueiras Feministas 

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